Há poucas semanas quase perdi alguém especial por puro orgulho besta. Isso mesmo, besta, no pior sentido da palavra.
Depois de pensar e repensar eu cheguei a pedir um tempo. Engraçado, pedir um tempo no que? Para que? Eu realmente precisava disso? Na verdade não. Ou talvez precisasse apenas de um bom "chega pra lá" para aprender a pensar antes de agir.
O caso é que recebi esse tempo, mesmo sentindo na voz ao telefone a dor de alguém que estava com receio de perder o que considerava valioso: a minha amizade. Neste momento vem aquela voz irritante buzinar lá no fundo "que mané amizade, estou abrindo meu coração e tu vem me falar em amizade?". Mas aí é que mora o problema. Ou diria a solução. Meu orgulho ferido estava tão puto da vida que não enxergava isso. Não enxergava a maior demonstração de amor de alguém que passaria por cima de tudo se fosse preciso para não me perder. Não me perder? Como perder algo que nunca teve? Nunca? Errado. E põe errado nisso. Eu posso jamais ter tido o que "queria", ou o que meu coração me dizia que queria, mas jamais poderia negar que essa pessoa sempre me teve. Confuso? Nem um pouco. Não para mim. Não mais. Naquele momento consegui entender o que de fato eu estava sentindo e estava longe de ser algo bom. O sentimento de posse era o que estava me movendo e eu estive errado o tempo todo e não queria admitir. Mais uma vez pelo orgulho besta. Aquele que cega e não deixa enxergar o que é tão simples.
Depois de alguns dias eu voltei a me sentir aliviado. E diria envergonhado também. Por ter agido daquela forma. Por não ter avaliado o que de fato estava sentindo. Não dá para voltar atrás e apagar tudo que foi dito, mas dá para olhar para a frente e não permitir que algo assim aconteça outra vez. E me sinto feliz por nada ter mudado. Pelo contrário, tudo está mais forte agora e me sinto bem. E fico mais feliz ainda por saber que quem eu mais amo também está feliz. E ela sabe disso. Não vou negar que rola um ciúmes. Isso sempre irá me perseguir, mas ao menos eu consigo identificar a intensidade dele e não permitir que ele me domine.
E quanto ao sentimento de posse? Bom, ele está adormecido outra vez e tenho tentado mantê-lo assim. E o que ficou foi uma grande admiração, maior ainda do que já existia por quem entendeu meus sentimentos e em momento algum deixou de me provar o que eu já deveria saber. Não importa o que aconteça, nada mudará o que existe entre nós. Nada.
...time will never change it... =]


Um comentário:
Ser ator e autor. Para poucos. Adorei o texto. Bjo, Binho.
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